27/12/11

“... E como acabaram com a censura A mídia agora é o nosso Aiatolá”

Os meios de comunicação cada vez mais têm importância, penetração e influência em nossas sociedades, a mídia tornou-se um referencial do comportamento e dos discursos humanos. Assim, muito se estuda sobre sua importância na elaboração da auto-estima do povo brasileiro. Ou seja, até que ponto o modo como aparecem nos noticiários, novelas, cinema e propaganda, por exemplo, influencia o modo como a sociedade se reconhece no contexto em que estão inseridas.

A influência dos conceitos estereotipados da mídia não pode ser ignorada, ou mesmo subestimada. Essa influencia tem papel preponderante nos processos de inclusão e exclusão que permeiam nosso cotidiano. Considerando, que nada que é veiculado na mídia está isento de conceito, ou aparece naturalmente, é importante observar as mensagens veiculadas na sua lógica produtora de sentido. É preciso entender, também, que a mídia opera a serviço de valores estereotipados e atende a interesses específicos de mercado.

A grande mídia está sempre atrelada à lógica capitalista (No Brasil os oligopólios midiáticos são facilmente identificados), assim torna-se tendenciosa ao construir imagens e valores numa perspectiva consumista. Nessa perspectiva, tudo se torna produto, podendo ser mensurado, portanto tudo tem preço, valor mercadológico, inclusive a cultura. Os elementos, ou produtos culturais são transformados em objetos palpáveis e passíveis de ser pasteurizados e facilmente comprados, engolidos por um grande número de pessoas.

Salvo raras exceções, majoritariamente os oligopólios midiáticos atendem à lógica de mercado, com seus valores obedecendo piamente aos valores ligados ao consumo. Onde padrões são construídos e propagados como ideais e representantes de sucesso e beleza. Marcos Ferreira Lima, Psicólogo, afirma que vivemos numa sociedade de exclusão e que a mídia, não trabalha para produzir a exclusão, mas sim para legitimá-la, os meios de comunicação menosprezam certas diferenças. Nesse sentido a mídia não tem interesse em contemplar a sociedade em suas particularidades, muito menos em representar fora do seu padrão de conceito como essa sociedade se representa.

Uma sociedade pasteurizada é mais fácil de ser manobrada e compra cegamente, tudo aquilo que é transformado em sucesso, em Best seller.

Um trabalho realizado pela Fundação Cultural Palmares (FCP) aponta que é preciso uma reflexão séria sobre o que se passa na TV e a vida real brasileira, e sua profunda consequência nos processos de auto-estima das populações afro e índio-descendentes da população. Essas duas matrizes culturais tem sua representação sub-valorizada pela mídia brasileira. Mesmo que a realidade mostre que essa interação, deu a peculiaridade tão propagada da população brasileira. A pesquisa aponta que na reestruturação “modernizadora” do estado brasileiro, a produção televisiva contribuiu com um elogio permanente às características estéticas do segmento euro-descendente. A situação em que as pessoas vivem não está ligada tão somente à situação econômica e social, mas também em como são representadas, e a mídia tem se esforçado em produzir valores alienantes.

A propaganda, obedecendo aos valores das corporações que controlam a mídia, segue essa linha de formar valores alienantes e estereotipados. Esta, hoje, muito mais que informar sobre produtos, transmite conceitos e valores, estes completamente conformados com os ideais mercadológicos.

E não só as comunidades de afro e índio-descendentes sofrem esse processo, temos ainda o mito da família perfeita, e um segmento que sofre diversas conceituações e construções ideológicas apregoadas pela mídia. As mulheres, que além de representadas de modo que, somente, sua sexualidade tem valor de referência, ela também está marcada por uma ditadura da beleza, onde um padrão estético é reproduzido em vários segmentos midiáticos: propaganda, cinema e televisão, por exemplo.

A penetração dos veículos de mídia é tão grande que não se admite ignorar sua influência em nosso cotidiano e como tudo aquilo que é representado nela interfere nas relações pessoais. Infelizmente, com a falta de formação educacional de nossa sociedade, torna-se cada vez mais difícil um olhar crítico sobre a mídia, ficando assim muitas suscetíveis a reproduzir o que sua lógica capitalista, narcisista, preconceituosa e consumista ordena.

Hoje apesar dos inúmeros instrumentos alternativos, rádios comunitárias, produções independentes, blogs e sites independentes, e das raras exceções produzidas pela grande mídia temos uma disparidade gigantesca entre a realidade e o que é exibido. Muitos danos foram produzidos e as consequências são novamente tratadas superficialmente e de modo estereotipado.

Desenvolver um olhar crítico sobre tudo aquilo que é produzido e reproduzido pela mídia não é fácil, perceber os valores distorcidos que ela reproduz é tarefa que exige comprometimento e esforço, contudo isso não é tarefa apenas para estudiosos, acadêmicos, ou intelectuais, todos nós que nos sentimos depreciados podemos fazer alguma coisa, tomar uma atitude, fazer diferente.

5 comentários:

  1. "Quando o brilho dos teus ooooolhos se espalhar na plantaçãaaaaaaaooooo"
    Ê saudade dele!

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  2. Adorei seu Blog, muito bom!
    Estou seguindo!

    http://futeblog-blogmaster.blogspot.com/

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  3. Legal demais o blog, muito bom o texto!
    adorei mesmo =)
    Estou seguindo aqui, quando tiver um tempinho me visita também, ficarei feliz com seu comentário
    *-*
    beijo grande, otima quinta e tudo de bom!

    http://mayramaniero.blogspot.com/

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  4. A mídia de uma forma ou de outra vai imprimir a ideologia dominante. O fundamental é ter senso crítico para tudo que se tem acesso! Texto muito interessante.

    abraço,
    www.todososouvidos.blogspot.com

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  5. Verdade!Interessante o post.Parabéns pelo blog!

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