28/05/12

Consideração sobre ética na imprensa baiana


O caso da Jornalista Mirella Cunha já tomou conta dos blogs e redes sociais, os debates sobre ética no jornalismo estão nas pontas das lanças, até mesmo o ministério público entrou com uma representação contra a jornalista. Advogados apontam para a violação à declaração de Direitos Human, à constituição e ao código de processo penal. Além do preconceito a repórter não se ateve ao caso em questão, não mostrou-se preocupada com a verdade. Como bem disse a professora e pesquisadora da UFBA em matéria do Jornal ATarde do último sábado: “ela mostrou-se racista, classista, sexista e vendida a uma proposta que não é a dela, é da emissora, que reforça esse tipo de comportamento desumano, grosseiro, vulgar.

Observando esse cenário pergunto, por que só agora resolvemos enquanto “opinião pública” falar a respeito desse modelo de jornalismo? Por que em especial essa entrevista foi causadora de tanta comoção, tanto alarde se há anos convivemos com essa realidade? Inventou-se um “jornalismo verdade” onde repórteres investigativos impetuosos acompanha a polícia em incursões pelos bairros populares, favelas, morros, em busca da escória da sociedade; ao mesmo tempo policiais que antes eram apenas funcionários púbicos, transformam-se em artistas, celebridades, um teatro mágico, uma odisseia. A classe média espectadora, no conforto de suas poltronas observa a policia e os repórteres impetuosos, invadirem as zonas perigosas e livrá-la de todo perigo social.

A repórter Mirella Cunha é merecedora de sansões sim, porém, não podemos nos esquecer de que dezenas de outros jornalistas ficaram famosos e fizeram carreira nesse modelo de representação, um deles inclusive é o ancora do programa em que a jornalista trabalha, Uziel Bueno. Esse com base nessa fama criada e com um saco cheio de jargões candidatou-se à deputado estadual nas últimas eleições, contudo, felizmente não foi eleito e voltou à TV para fazer aquilo em que é perito, promover o escárnio daqueles que por falta de instrução e de fiscalização dos órgãos competentes são tratados com total desrespeito aos seus direitos enquanto cidadãos.

A pergunta que surge é onde anda a ética jornalística? Esse espetáculo em que a notícia se transformou é colocado na conta da população quando especialistas afirmam que isso dá audiência e vende jornal. É comum no discurso desses ancoras desmerecer quem pensa diferente, ou se nega a ver essa programação. Quem não coaduna com esse modelo é chamado de covarde, de protetor dos criminosos, uma série de adjetivos que desmontam a lógica desqualificando o debate.

O imediatismo da notícia, a busca ensandecida pelo furo, além dos esquemas entre grandes corporações e veículos de imprensa nacionais. Nos últimos dias fomos surpreendidos por informações que indicam que duas das principais revistas semanais do Brasil Veja e Época, estariam envolvidas em esquemas do contraventor Carlinhos Cachoeira.  Os meios de comunicação atendendo suditamente a uma lógica de mercado, de concentração de poder. Sua liberdade em informar parece caminhar em direção oposta ao compromisso moral com a sociedade.

O jogo de interesses entre mercado, mídia e política, coloca a sociedade a mercê de verdades enviesadas pelos interesses de uma classe dominante. a crise na ética está refletida na moral dos oligopólios e proprietários dos meios de comunicação, o processo da informação entrou num círculo vicioso, onde não existe ética, ou esta é negligenciada para atender aos interesses dos espetáculo grotesco como o caso da jornalista, ou mesmo para atender interesses de grande patrocinadores, garantindo manchetes espetaculares, porém com a “verdade” servido de aliada à corrupção.

10/05/12

São Tantas Emoções!!


Coração de torcedor deveria ser diferente do que bombeia sangue e altera a pressão, não é saudável em apenas 90 minutos uma pessoa passar por tantas emoções: euforia, fúria, tristeza, alegria, tensão extrema, relaxamento instantâneo.... como diria o Roberto, “são tantas emoções bicho.”

Saindo do curso agoniado, apreensivo, com os ouvidos bem atentos, pois, não tinha ideia do que estaria acontecendo, tentava não demonstrar nervosismo, mas andava como quem está indo buscar um resultado de um exame crucial. Um pouco apressado, um tanto desengonçado, olhando para o relógio, contando segundo a segundo. Minha apreensão era tanta que nem buscava saber o resultado por ninguém, temia que estivéssemos num dia ruim e que algum torcedor adversário já começasse a zombaria antes mesmo do fim do primeiro tempo.

Foi inevitável, passando por um dos bares da cidade... a TV ligada, o jogo sendo transmitido e nosso time perdendo. Minutos finais do primeiro tempo, pronto, bateu o desespero, fiquei indignado, falando sozinho, discutindo com os jogadores que estavam a quilômetros de distância, falei com o treinador bem ao pé do ouvido, a coisa ficava ruim mesmo quando ouvia as piadinhas infames dos outros torcedores.

Mesmo com minha cabeça dizendo, vamos embora, não fique ai parado, meu corpo não obedecia, fico ali estático, meus olhos não piscavam, meu coração, pobre coitado, batia descompassado, mãos e braços em movimentos involuntários, até que explodi de alegria, GOOOOLLLL, mas durou pouco, um jogador do time adversário teve a famigerada ideia de tirar a bola do gol com as mãos, gol anulado, grito engolido e emoção repentinamente de revolta e tristeza.

O lance gera um pênalti, nosso time tem o artilheiro do Brasil, em plena forma, frio como o bloco de gelo que afundou o Titanic, ele pega a bola, ajeita com carinho, dá seus conhecidos passos para trás, respira e parte pra cobrança... Meu diafragma e pulmões preparam o grito e........ Perdeu!! Meus queridos amigos, mesmo sendo artilheiro mandei ele pra tonga da mironga do kabuletê!!

Não tive coragem de esperar o segundo tempo, fui pra casa, ainda falando sozinho, explicando pra minha plateia invisível por que nosso artilheiro não é ídolo da torcida, retado da vida fui pra casa caladinho, mas lá no fundo da mente ficava dizendo, quando eu estiver chegando em casa quero ouvir que o jogo virou, estamos vencendo e jogando bem... Não sou profeta, mas isso foi justamente o que aconteceu, assim que desci do ônibus, ouço um homem comentar: “se saia seu otário, to aqui ouvindo que o Vitória empatou.” Esbocei um sorriso, mas precisei confirmar, perguntei a ele se era mesmo verdade, confirmada a informação agradeci aos céus e fui andando até entrar em casa, entro em casa ligo o rádio, na emissora que costuma dar sorte, ou pelo menos onde tenho certeza que tem gente que torce pro time trabalhando na equipe.

Enquanto isso, na internet, busco onde posso ver o jogo, completamente conectado fico acompanhando a partida de pé... sentar é impossível o corpo não obedece, ando de um lado pro outro...até que de repente, um menino de apelido Tartá cabeceia e marca o gol da classificação. Dessa vez não tenho palavras para descrever a alegria, os movimentos são fortes, as palavras são de ordem, as batidas do coração harmoniosas como uma orquestra de percussão. Uma explosão de alegria toma conta de mim...
Ver meu time classificado para a próxima fase da copa do Brasil, encher o peito de moral para o jogo da final do estadual definitivamente, não tem preço.