O caso da Jornalista Mirella Cunha já tomou conta dos blogs
e redes sociais, os debates sobre ética no jornalismo estão nas pontas das
lanças, até mesmo o ministério público entrou com uma representação contra a
jornalista. Advogados apontam para a violação à declaração de Direitos Human, à
constituição e ao código de processo penal. Além do preconceito a repórter não
se ateve ao caso em questão, não mostrou-se preocupada com a verdade. Como bem
disse a professora e pesquisadora da UFBA em matéria do Jornal ATarde do último
sábado: “ela mostrou-se racista, classista, sexista e vendida a uma proposta
que não é a dela, é da emissora, que reforça esse tipo de comportamento
desumano, grosseiro, vulgar.
Observando esse cenário pergunto, por que só agora
resolvemos enquanto “opinião pública” falar a respeito desse modelo de
jornalismo? Por que em especial essa entrevista foi causadora de tanta comoção,
tanto alarde se há anos convivemos com essa realidade? Inventou-se um “jornalismo
verdade” onde repórteres investigativos impetuosos acompanha a polícia em
incursões pelos bairros populares, favelas, morros, em busca da escória da
sociedade; ao mesmo tempo policiais que antes eram apenas funcionários púbicos,
transformam-se em artistas, celebridades, um teatro mágico, uma odisseia. A classe
média espectadora, no conforto de suas poltronas observa a policia e os repórteres
impetuosos, invadirem as zonas perigosas e livrá-la de todo perigo social.
A repórter Mirella Cunha é merecedora de sansões sim, porém,
não podemos nos esquecer de que dezenas de outros jornalistas ficaram famosos e
fizeram carreira nesse modelo de representação, um deles inclusive é o ancora
do programa em que a jornalista trabalha, Uziel Bueno. Esse com base nessa fama
criada e com um saco cheio de jargões candidatou-se à deputado estadual nas
últimas eleições, contudo, felizmente não foi eleito e voltou à TV para fazer
aquilo em que é perito, promover o escárnio daqueles que por falta de instrução
e de fiscalização dos órgãos competentes são tratados com total desrespeito aos
seus direitos enquanto cidadãos.
A pergunta que surge é onde anda a ética jornalística? Esse espetáculo
em que a notícia se transformou é colocado na conta da população quando especialistas
afirmam que isso dá audiência e vende jornal. É comum no discurso desses
ancoras desmerecer quem pensa diferente, ou se nega a ver essa programação. Quem
não coaduna com esse modelo é chamado de covarde, de protetor dos criminosos,
uma série de adjetivos que desmontam a lógica desqualificando o debate.
O imediatismo da notícia, a busca ensandecida pelo furo,
além dos esquemas entre grandes corporações e veículos de imprensa nacionais. Nos
últimos dias fomos surpreendidos por informações que indicam que duas das
principais revistas semanais do Brasil Veja
e Época, estariam envolvidas em
esquemas do contraventor Carlinhos Cachoeira. Os meios de comunicação atendendo suditamente
a uma lógica de mercado, de concentração de poder. Sua liberdade em informar
parece caminhar em direção oposta ao compromisso moral com a sociedade.
O jogo de interesses entre mercado, mídia e política, coloca
a sociedade a mercê de verdades enviesadas pelos interesses de uma classe
dominante. a crise na ética está refletida na moral dos oligopólios e
proprietários dos meios de comunicação, o processo da informação entrou num
círculo vicioso, onde não existe ética, ou esta é negligenciada para atender
aos interesses dos espetáculo grotesco como o caso da jornalista, ou mesmo para
atender interesses de grande patrocinadores, garantindo manchetes
espetaculares, porém com a “verdade” servido de aliada à corrupção.